Correios colocam 12 imóveis em leilão em meio a prejuízo de R$ 5,5 bilhões

Vendas estão previstas para outubro e integram plano de reestruturação financeira da estatal; imóveis estão distribuídos por sete estados e no Distrito Federal.

Por a redação

Publicado em Atualizado em

Correios colocam 12 imóveis em leilão em meio a prejuízo de R$ 5,5 bilhões

Foto: Correios / Divulgação.

Os Correios realizam, em outubro, dois leilões de imóveis com 12 propriedades distribuídas pelo país. A iniciativa faz parte do plano de reestruturação financeira da estatal, que registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre de 2026. A venda de ativos imobiliários busca ampliar a disponibilidade de recursos em caixa, reduzir despesas e contribuir para o equilíbrio financeiro da empresa. A meta dos Correios é arrecadar R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis ao longo de 2026. Entretanto, os resultados obtidos até o início de abril ficaram abaixo do esperado. Segundo apontamento do Tribunal de Contas da União (TCU), a estatal havia arrecadado R$ 11,3 milhões com a alienação de imóveis até o dia 7 daquele mês.
 

Dois leilões reúnem imóveis comerciais

O primeiro leilão está previsto para 15 de outubro, às 15h, com seis imóveis localizados no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em Rondônia e em São Paulo. Entre os destaques estão um prédio comercial em Brasília, avaliado em R$ 4,99 milhões; um galpão em Niterói (RJ), com avaliação de R$ 1,9 milhão; e uma loja comercial no centro do Rio de Janeiro, avaliada em R$ 1,23 milhão. O segundo certame está marcado para 22 de outubro, às 14h, com propriedades no Ceará, no Distrito Federal, em Goiás, no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e em São Paulo. Entre os imóveis anunciados estão um prédio comercial no centro do Rio de Janeiro, avaliado em R$ 53,6 milhões; uma propriedade em Florianópolis (SC), com avaliação de R$ 10,3 milhões; e um prédio comercial em Goiânia (GO), avaliado em R$ 4,55 milhões. Os valores de avaliação servem como referência para a comercialização dos bens. As condições de venda, os lances mínimos e as demais exigências devem ser consultados nos editais de cada leilão.
 

Como funcionam as condições de pagamento

De acordo com as regras divulgadas, os interessados poderão optar pelo pagamento à vista, financiamento bancário, utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), quando permitido, ou parcelamento, conforme as condições estabelecidas no edital. Na modalidade parcelada, está prevista uma entrada mínima de 20% do valor da arrematação, com o saldo dividido em até 12 parcelas mensais. Sobre as parcelas incidem juros equivalentes a 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), indicador utilizado como referência para diversas operações financeiras. Em caso de atraso, também estão previstos correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), juros de mora de 1% ao mês e multa de 2%, conforme as regras informadas. Após a arrematação, o comprador deverá pagar o sinal de garantia e a comissão do leiloeiro em até 24 horas. Os editais e as informações para participação estão disponíveis na plataforma da VIP Leilões.
 

Reestruturação ocorre em cenário de pressão financeira

O resultado negativo dos Correios reforça a importância das medidas adotadas para ampliar a geração de caixa. No primeiro trimestre de 2026, a estatal acumulou prejuízo de R$ 3,16 bilhões. No segundo trimestre, o resultado negativo foi de R$ 2,39 bilhões. No fim de 2025, a empresa também contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União. Na prática, essa garantia significa que o governo federal poderá ser chamado a honrar a dívida caso a estatal não consiga cumprir suas obrigações, conforme as condições contratuais. Outro indicador da situação financeira é o patrimônio líquido negativo de R$ 13,16 bilhões registrado ao final de 2025, segundo o TCU. Esse resultado significa que, contabilmente, as obrigações da empresa superavam o valor de seus ativos. O tribunal classificou o quadro como de insolvência técnica, expressão utilizada para descrever uma situação patrimonial em que as obrigações superam os ativos, e apontou a dependência de operações de crédito garantidas pela União. Nesse contexto, a venda de imóveis representa uma das alternativas para reforçar a liquidez da companhia. O desafio, porém, é transformar a alienação de ativos em resultados compatíveis com as metas estabelecidas, sem depender exclusivamente da venda de patrimônio para sustentar a operação. O cumprimento do plano de reestruturação será determinante para a evolução das contas da estatal. Caso as metas não sejam alcançadas, a empresa poderá precisar de novas operações de crédito ou de aportes de recursos, ampliando a pressão sobre as medidas de recuperação financeira. Fontes: Correios (Sala de Imprensa) e Tribunal de Contas da União (TCU). Dados financeiros e condições dos leilões consultados nas publicações oficiais dos órgãos. Apuração: Redação do Jornal Imprensa Leilões.