Excesso de telas pode prejudicar a lubrificação dos olhos
O hábito de permanecer por horas diante das telas pode afetar um mecanismo natural de proteção dos olhos: o piscar
Por a redação
Publicado em Atualizado em

Crédito da foto: Arquivo da Redação.
O uso prolongado de celulares, tablets e computadores pode interferir em um movimento simples e involuntário, mas fundamental para a saúde dos olhos: o piscar. Ao permanecer concentrada diante de uma tela por longos períodos, a pessoa tende a piscar com menor frequência, o que pode acelerar a evaporação das lágrimas e provocar desconforto ocular. O tema foi amplamente discutido durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), realizado em Salvador. O fenômeno está relacionado ao chamado olho seco, condição caracterizada pela lubrificação inadequada da superfície ocular. O problema pode ocorrer tanto pela produção insuficiente de lágrimas quanto pela evaporação excessiva da película lacrimal. Entre os sintomas mais comuns estão sensação de areia ou corpo estranho nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão, lacrimejamento e visão embaçada. Em alguns casos, o desconforto pode levar a pessoa a piscar repetidamente na tentativa de aliviar a irritação.
Telas e saúde ocular
A exposição prolongada às telas pode reduzir a frequência e a qualidade do piscar, segundo especialistas. Esse movimento é essencial para distribuir o filme lacrimal sobre a córnea, mantendo a superfície ocular protegida e hidratada. Quando piscamos menos, as lágrimas ficam mais tempo expostas e evaporam com maior rapidez, provocando instabilidade do filme lacrimal. O resultado pode ser ressecamento, ardência, vermelhidão, sensação de areia e visão embaçada ou flutuante. O efeito pode ser intensificado por longos períodos sem pausas e por fatores ambientais, como ar-condicionado, ventiladores e baixa umidade. Como o olho seco possui diferentes causas, sintomas frequentes ou persistentes devem ser avaliados por um oftalmologista.
Pausas fazem parte do cuidado
O manejo do desconforto ocular relacionado às telas começa pela redução dos períodos prolongados de exposição. Alternar tarefas que exigem visão de perto com momentos de descanso ajuda a diminuir a sobrecarga visual e a exposição contínua da superfície ocular. Ainda de acordo com orientações dos oftalmologistas, Outra medida é ajustar as condições de uso: manter a tela em posição confortável, evitar reflexos e excesso de brilho e controlar fatores ambientais que aumentam a evaporação das lágrimas, como ar-condicionado e baixa umidade. Quando os sintomas persistem mesmo com a mudança desses hábitos, é necessário investigar outras possíveis causas. A avaliação oftalmológica permite examinar a superfície ocular, o filme lacrimal e as estruturas responsáveis pela produção e manutenção das lágrimas, diferenciando o desconforto transitório de uma condição que exige tratamento específico.
