O Brasil que ainda conta histórias - Lendas da Amazônia: o Boi-Bumbá

Um dos mais importantes do país, festival folclórico atai multidões para assistir e torcer na disputa dos bois Caprichoso e Garantido

Por a redação

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O Brasil que ainda conta histórias - Lendas da Amazônia: o Boi-Bumbá

Boi Caprichoso foi o vencedor em 2026. Foto: Gabi Vitim/Secom

Dando sequência ao passeio pelo universo da cultura popular brasileira tendo como ponto de partida manifestações folclóricas da Região Norte, apresentamos no Caderno Especial O Brasil que ainda conta histórias - região norte, a lenda do Boi-Bumbá, contada no Festival de Parintins, no Amazonas. Festas tradicionais e lendas são expressões culturais ligadas à formação da identidade do povo brasileiro. Favorecem o congraçamento nas relações humanas, refletem sobre cuidados com a natureza, projetam a região para além das fronteiras do Estado, geram emprego e renda e são fortes atrativos turísticos.   Para o folclorista Luís da Câmara Cascudo, o Boi-Bumbá é o primeiro auto nacional legítimo. O folguedo teria sido criado nas fazendas de gado e engenhos pelo “povo mestiço” (descendente de colonizadores europeus, povos originários indígenas e negros africanos escravizados). A brincadeira une a criatividade do povo tradicional às influências ibéricas das touradas cômicas e procissões. Na visão de Cascudo, a farsa sobre a morte e ressurreição de um boi, em face de sua originalidade, tornou-se a primeira representação teatral genuinamente brasileira. O pesquisador, em seu clássico Dicionário do Folclore Brasileiro, também catalogou variações do Boi-Bumbá com as festas Bumba meu Boi em Pernambuco e Piauí, e outras variedade de festas de bois tradicionais em outros estados, a exemplo do Reis de Boi do Espírito Santo. Todas elas tendo o boi como elemento central da narrativa envolvendo, música, rituais, danças, alegorias, fantasias, aspectos históricos, culturais e teatro. Na brincadeira que envolve lendas, rituais, costumes, , os bois encenam a lenda da Mãe Catirina e do Pai Francisco. Grávida, Catirina teve o desejo de comer língua de boi. Para satisfazê-la, Pai Francisco, seu marido, mata o boi favorito do patrão. Este, por sua vez, o ameaça de morte. Pai Francisco é salvo pelo Pajé que ressuscita o boi antes do crime acontecer. 
 

Festival de Parintins

O Festival do Boi Bumbá em Parintins acontece desde os anos 1960, na cidade homônima, que se localiza na Ilha de Tupinambarana, distante 420 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas. É hoje um dos principais atrativos culturais e turísticos do Estado.   O ponto alto da festa, que acontece anualmente em fins de julho, é protagonizado por duas associações folclóricas: Garantido (boi representado pelas cores vermelho e branco) e Caprichoso,   pelas cores azul e branco. Entre eles há uma acirrada, mas “amigável” competição que dura três noites. A competição envolve vários elementos: música, dança, tradições, alegoria, efeitos especiais, temas voltados para a origem histórica e cultural dos ‘bumbás’, enfim, um conjunto de quesitos que são devidamente julgados. Ao final das apresentações é proclamado o vencedor. Este ano, o Caprichoso sagrou-se tri-campeão, para o delírio dos apaixonados pelo boi azul e branco. A festa reúne milhares de pessoas no Centro Cultural e Desportivo Amazonino Mendes (Bumbódromo). Além das apresentações dos bois, o Festival de Parintins destaca diversas outras expressões das culturas tradicionais da região, como crenças religiosas, danças típicas, rituais indígenas, artesanato e gastronomia típicos da Amazônia. Destaca-se, ainda que o Festival do Boi-Bumbá de Parintins é também um instrumento importante para a divulgação da Amazônia. Realça sua exuberância, seus povos, diversidades e culturas. Como potente instrumento de politização, o festival também contribui para a consciência de proteção da floresta e engajamento por causas sociais e respeito aos povos originários.   O Caprichoso este ano defendeu o tema Brinquedo que Canta Seu Chão, homenageando a cidade e as comunidades tradicionais e celebrando a floresta. O boi Garantido, por sua vez, defendeu o tema: “Parintins, Portal do Encantamento”, homenageando a cidade e evidenciando o aspecto místico e mágico da “Ilha Encantada”. Fontes: Ufam e Portal Amazônia