O Brasil que ainda conta histórias - Lendas da Amazônia: Iara (Mãe d’Água)
Iara é a bela sereia que guarda os rios e toda a vida aquática. Ela encanta e conduz ao fundo das águas aqueles que desrespeitam os limites da natureza
Por a redação
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Imagem: Iara - Arquivo Jornal Imprensa Leilões
Entre as lendas que são transmitidas de geração a geração e seguem presentes no imaginário dos brasileiros, especialmente da Região Norte do país, destaca-se a lenda da Iara. Iara ou Mãe d’Água é uma sereia da água doce dos rios amazônicos que, por sua beleza, voz encantadora e muitas riquezas, atrai pescadores precipitando-os no fundo das águas onde morrem afogados. Paradoxalmente, a figura mítica é guardiã, protetora dos peixes, dos rios e de toda a vida aquática, simbolizando a força (e resposta) da natureza em face da ação humana predatória. O nome Iara vem do tupi-guarani ig (água) e iára (dono, mestre e senhor). É também chamada de Yara, Uiara ou Mãe d’Água. Ela é parte mulher e parte peixe, sendo conhecida (e temida) pela forte sedução que exerce sobre homens que estejam interferindo de forma irresponsável no rio, exaurindo os recursos naturais, praticando pesca em excesso ou predatória (como em períodos de reprodução), depauperando e poluindo o rio com a atividade ilegal de mineração, ou desmatando as suas margens. Iara age encantando-os e os atraindo para morar com ela debaixo d’água, de onde jamais retornam. Assim, o mito exerce um importante papel de regulação social e ambiental. Por temor, acreditando que Iara, a Mãe d’Água, está sempre por perto e de olho nas suas ações, o ribeirinho ou o explorador, passam a respeitar a natureza como um organismo vivo, usando seus recursos de forma sustentável. O rio, além de estrada natural que conecta as inúmeras comunidades amazônicas, é de onde eles retiram o sustento para viver, tendo ainda com ele uma relação cultural, ancestral e sagrada. Iara é também descrita pelo costume de passar o tempo sentada sobre pedras no rio admirando a própria beleza refletida nas águas, penteando os longos cabelos pretos e brincando com os peixes. Seu canto, dizem, além de encantador, tem também um tom melancólico de lamento por causa das agressões contra os rios e todas as espécies de vida que eles mantêm.
