Um Brasil de muitos sotaques, histórias e tradições

O Brasil possui uma diversidade sem fim de expressões culturais e artísticas que identificam a sua gente. Mostrar essas manifestações é reforçar a dimensão cidadã de pertencimento e brasilidade.

Por a redação

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Um Brasil de muitos sotaques, histórias e tradições

Crédito da foto: Arquivo da Redação.

A partir desta edição, o Jornal Imprensa Leilões abre espaço, em seu Caderno de Cultura e Arte, para conhecer um Brasil que também se revela por meio de suas tradições populares. A cada edição, vamos percorrer diferentes regiões do país para apresentar manifestações do folclore brasileiro, suas histórias, personagens, festas, crenças, lendas e saberes que atravessam gerações. Mais do que preservar memórias, conhecer o folclore é compreender a diversidade cultural que forma o Brasil. De uma região a outra, mudam os sotaques, os costumes e as manifestações, mas permanece a força de uma cultura construída coletivamente e transmitida ao longo do tempo. Para iniciar esse percurso, seguimos para a Região Norte, com destaque para o Círio de Nazaré, em Belém (PA), uma das maiores manifestações religiosas e culturais do Brasil e uma das maiores procissões católicas do mundo. Uma celebração que reúne fé, tradição, identidade e memória, mobilizando milhares de pessoas e revelando a riqueza cultural da Amazônia. Cultura e Arte. Criamos esta Editoria por considerar a relevância fundamental desses grandes temas, presentes na vida de cada um e em toda a obra humana. Enquanto a cultura, sempre em movimento, vai moldando identidades, promovendo avanços na direção do desenvolvimento de valores humanos, hábitos, tradições e outros, a arte opera no campo sensível fortalecendo o sentimento de pertença da pessoa ou grupo à comunidade ou lugar onde se vive.  Através das diversas expressões artísticas, o ser humano vivencia pontos de vista diferentes dos seus e estabelece conexões para a compreensão do outro, para a empatia, aceitação das diferenças e combate às múltiplas formas de preconceito.  Abordamos neste primeiro momento manifestações e expressões culturais da Região Norte do país, começando com a maior delas: o Círio de Nazaré. 
Um Brasil de muitos sotaques, histórias e tradições

Foto: Reprodução / Marco Santos - Ag. Pará.

Tradicional Festa do Círio de Nazaré leva milhões de pessoas à cidade de Belém (PA) 

O Círio de Nazaré é uma das maiores festas marianas do mundo, reunindo, todo ano, no mês de outubro, uma multidão de fiéis na cidade de Belém, capital do Estado do Pará. O evento devocional realizado pela Arquidiocese de Belém, homenageia Nossa Senhora de Nazaré e chegou à sua 235ª edição este ano.  Atrativo turístico com duração de uma quinzena, o Círio de Nazaré é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artísitico Nacional (Iphan) e declarado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.  O ponto alto da festividade é a Procissão do Cirio, concentrando nas ruas de Belém mais de 2 milhões de pessoas. Entre os participantes estão fiéis devotos, pagadores de promessas, romeiros, aqueles que pedem graças, turistas e outros. Em torno do Círio acontecem também diversas outras manifestações de fé, atividades culturais e também de cunho turístico e econômico. Exemplo disso é o evento Passos da Fé, uma iniciativa da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) junto com o Sebrae, para promover o Círio como circuito turístico religioso para além do período das festividades.  Antes dos festejos acontece a atividade de visitas da Imagem Itinerante da santa que este ano percorreu o Pará e outros estados, totalizando mais de 700 visitas em um percurso de 37,9 mil quilômetros.  Outros destaques são as diversas procissões e romarias como a Rodoviária e a Fluvial, o Círio das Crianças e o Recírio, Arraial de Nazaré e Círio Musical.   Também chama a atenção o uso da chamada Corda do Círio. Uma corda em que os fiéis seguram durante a procissão. Este ano a corda mediu 800 metros de extensão, sendo confeccionada com fibras da erva malva amazônica por produtores rurais e artesãos paraenses. 

O Círio de Nazaré e sua História

A palavra 'círio' significa uma grande vela de cera levada em procissão. O Círio de Nazaré é uma procissão em que os participantes manifestam fé e devoção a Nossa Senhora de Nazaré. Realizada há mais de 200 anos em Belém (PA), além do seu aspecto religioso principal, o Cirio de Nazaré concentra forte expressão da cultura popular reunindo tradições ancestrais na forma de crença, devoção, arte, festejos e envolvimento de milhares de pessoas.  Segundo a historiografia, a devoção teve início a partir do achamento da imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelo cidadão chamado Caboclo Plácido, em 1700. Ele teria encontrado a imagem da santa às margens de um riacho, local próximo de onde está edificado o Santuário Basílica Nossa Senhora de Nazaré, em Belém.  A primeira procissão que se registrou em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré (que se tornou a padroeira dos paraenses) ocorreu em 1793. Desde então, o Círio de Nazaré acontece anualmente, reunindo a cada ano mais devotos e turistas. A festa também inspira a dança folclórica do Carimbó.  As maiores festas marianas no Brasil, por número de participantes, são, pela ordem, a de Nossa Senhora Aparecida, Círio de Nazaré e a Festa da Penha, em Vitória-ES. 
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Foto: Prefeitura de Santarém.

O carimbó e a magia contagiante do seu ritmo e bailado 

Em casos sobre cultura popular ou folclore na Região Norte, o carimbó tem lugar de destaque.  Dança originária do Estado do Pará, o carimbó encanta em vários sentidos: por suas canções e letras típicas que falam de amores e da exuberância natural da Amazônia, com suas lendas e mitos; pelo efeito estético dos passos do bailado e giro das saias coloridas, pela cadência dos instrumentos percussivos, e ainda pela expressão de alegria espontânea e contagiante dos pares dançarinos.  É comum ouvir pessoas que visitam o Pará relatarem que tiveram uma experiência “incrível” vivenciando a cultura local na sua mais pura forma, ao assistir e participar de uma roda de carimbó.